Nossa memória é uma habilidade que possuímos de armazenar informações e conhecimentos. Ela é a base para o desenvolvimento da linguagem e do reconhecimento das pessoas e objetos. Sem ela não poderíamos nos valer do que foi aprendido, e iniciaríamos uma nova vida diariamente, ou a cada momento. É principalmente por este último motivo que muitas pesquisas acerca do tema têm sido feitas, como o que ocorre nas demências e como podem ser tratados os casos patológicos.
Um assunto que é pouco estudado, mas também acontece é o declínio normal da memória com o envelhecimento saudável. A dificuldade de memorização é uma queixa bastante freqüente principalmente em indivíduos com idade a partir dos 50 anos e, com certeza, a manutenção da boa memória é uma maneira de preservar a autonomia e propiciar independência às pessoas.
Alguns indivíduos são mais afetados pelo envelhecimento quando o assunto é memória. Isto se deve a alguns fatores que determinam a magnitude dos efeitos do envelhecimento sobre o envelhecimento, tais como a composição genética da pessoa, o nível socioeconômico, o nível educacional, o estilo de vida, a acuidade visual e auditiva, as relações sociais, entre outros.
Hoje sabe-se que a memória é plástica, ou seja, com o treinamento de memória em idosos é possível reverter ou pelo menos compensar os danos causados pelo envelhecimento. Treinos de memória ensinam técnicas de memorização que pessoas podem fazer para aumentar a eficiência da gravação da informação em tarefas de memória episódica, ou seja, de eventos ocorridos recentemente, como gravar uma lista de compras de supermercado ou o nome das pessoas. Assim, pode-se afirmar que pessoas da terceira idade podem aprender técnicas complexas de memorização e aprimorar seu desempenho.
É importante destacar que nos estudos sobre treino de memória, apesar da melhora na capacidade de armazenar, as queixas não necessariamente diminuem. As queixas parecem estar mais relacionadas às crenças e atitudes sobre a memória e, possivelmente à depressão. Mas a nossa conversa sobre mitos do envelhecimento fica para uma próxima oportunidade.
A literatura cognitiva documenta significativo declínio em alguns aspectos da memória em função do envelhecimento. Ao mesmo tempo, aponta para a possibilidade da otimização da memória na velhice. Os mecanismos que possibilitam esta melhoria no desempenho em testes de memória ainda não estão completamente compreendidos, do mesmo modo que ainda não conhecemos totalmente quais as implicações dessas intervenções para o cotidiano do idoso. Mas pode-se inferir a partir disso tudo que o envelhecimento é um processo dinâmico que envolve perdas, mas também estabilidade e crescimento.
Fernanda Barbosa Ferreira Rocha
Gerontóloga
Gerontóloga
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